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Batuque de Cordas

Vinicius Correa & Claudio Veiga

CD Lundu

Foto: Marcelo Amaral

O CD Lundu, lançado em 2015, é dedicado ao primeiro gênero musical do Brasil.

 

Apresentação

O álbum LUNDU do Batuque de Cordas evoca um gênero da melhor tradição musical brasileira. Assim como a modinha, o lundu despertou o interesse de musicólogos como Sylvio Romero, Mário de Andrade, Mozart de Araújo e Bruno Kiefer. Tal interesse pelo lundu foi precedido por uma curiosidade estrangeira e que pulula nos relatos de vários viajantes europeus que estiveram no Brasil durante o século XIX. Não raro, o olhar (e o ouvido) do forasteiro confundiu lundus com fandangos e batuques. O registro estrangeiro deu destaque para o aspecto lascivo da dança. Menor atenção deram à cantoria, às canções e ao que suas letras diziam.

Na imprensa oitocentista, copiosas foram as partituras e canções de modinhas e lundus, o que constitui um corpus documental ímpar para estudos sobre essa parte da história da música brasileira. O lundu foi marcado por transformações ao longo do tempo, por variações regionais e por sua ressignificação em diferentes grupos sociais. Além disso, cabe assinalar que a sua popularização ocorreu durante o Império, assim como a sua nacionalização. A propósito, Adèle Touissaint-Samson considerou o lundu uma “dança nacional” e a descreveu sucintamente em seu livro Une parisienne au Brésil (1883). Antes dela, outros viajantes como Carl Friedrich Philippe von Martius, Henry Koster, Georg Wilhelm Freireyss, Daniel Kidder e Charles Darwin já tinham relatado, às vezes de forma desabonadora, sobre lundus e batuques.

Se o lundu deriva dos batuques, a sua popularização implicou modificações em alguns de seus aspectos (musicais, coreográficos, etc.) e cuja história é difícil de retraçar. Do lundu é o samba um tributário. Portanto, o lundu forma com seus congêneres (o batuque e o samba) uma tríade fundamental da música brasileira. À sua natureza híbrida o presente álbum faz referência, notadamente às suas origens afro-brasileiras.

 

Sílvio Marcus de Souza Correa

Universidade Federal de Santa Catarina

 

Vídeo

Assista o vídeo da música Viola Malunga de Vinicius Correa:

CD Batuque de Cordas

Foto: Tânia Meinerz

O CD Batuque de Cordas, lançado em 2002, foi o primeiro trabalho da dupla de violonistas Vinicius Correa e Claudio Veiga.

 

Já na estreia o duo ganhou os prêmios Açorianos como o melhor CD de música instrumental e melhor grupo de música instrumental em 2003.

 

O CD conta com as participações especiais de Gilmário Gomes na percussão e Paulinho Pires no Serrote.

Apresentação

O que é preciso para um batuque? Mãos, ritmo e uma superfície. O que tem de mais simples no mundo. Podemos batucar em qualquer coisa. Na bochecha, no crânio, na barriga, na lata, no vaso, na prima, no balde, na caixa de fósforos, no pandeiro, na mesa. E ao redor desta mesa, uma batucada brasileira. Parece que a gente já nasce com esta imagem na cabeça. Uma reunião de pessoas, onde alguns fazem "barulho ritmado com pancadas", como diz o dicionário.Toda a tradição da música brasileira deu umas pancadinhas nesta mesa, de Villa-Lobos a Tom Jobim, de Luis Gonzaga a Pixinguinha, de Hermeto Pascoal a Egberto Gismonti, de Noel Rosa a minha vó.

Vinicius Corrêa e Claudio Veiga foram influenciados até a alma por este povo todo e deu no que deu. Como sempre tocaram violão resolveram então batucar no violão. E bateram forte. Partiram quase para o desforço físico. Pancadaria!!! Ouçam este CD e constatem o que estou dizendo. Para mim, eles confundiram tudo. Não se pode sair por aí batucando nas cordas como se fossem couro. Detenham-nos!!! Sem nenhum pudor estes rapazes se utilizaram descaradamente da música brasileira.

E é claro, ardilosos, escolheram a dedo o que ela tem de melhor. Assim, até eu! Fraudaram o violão, que foi feito para ser dedilhado. Neste disco ele é subvertido para se tornar também um instrumento de percussão. Podemos batucar em qualquer coisa, menos no violão, tenham dó. O problema destes guris é que eles não conhecem os limites do seu instrumento. Por isso, cuidado! Neste disco não será encontrado o verdadeiro violão, ele não é tocado da maneira certa! Tudo isso me parece um absurdo!

 

Jackson Zambelli

 

Vídeo

Assista o vídeo da música Ponteado de Vinicius Correa:

CD Trio

Foto: Fabrício de Souza

Lançado em 2006 o CD Trio tem a participação de Gustavo Finkler na percussão e viola, além de Vinicius Correa e Claudio Veiga nos violões..

 

O álbum faz diversas referências à cidade de Porto Alegre em composições próprias feitas especialmente para este CD.

 

Como convidado especial temos ainda Roberto ''Magrão'' Peres na percussão.

Apresentação

Vinicius Correa e Claudio Veiga formam, na minha opinião, um dos duos de violão mais expressivos da atualidade. Como bons gaúchos, gostam de churrasco, chimarrão e música da terra. E é inegável a influência dessa música no trabalho da dupla, mas nada que os enquadre nos limites de um regionalismo purista. Pelo contrário, as múltiplas influências reveladas na sonoridade do Batuque de Cordas se convertem em um interessante e criativo mosaico sonoro, que se sabe, sempre, brasileiro. Em outras palavras, Vinicius e Claudio, contando agora com a especial participação de Gustavo Finkler, lançam-se à difícil tarefa de construir um som próprio, com características, eu diria, universais, com base em uma forte identidade local/nacional, que inclui, obviamente, fortes traços da música riograndense, como a milonga e o chamamé mas inclui, também, o choro, o baião, o cateretê, a embolada e, aqui e ali, rumores de batuques afro-brasileiros. Não é à-toa que constam do repertório uma valsa de Baden Powell, um choro de Otávio Dutra (Espia só, uma deliciosa mistura de polca-lundu com chimarrita) e Taraf, do compositor francês Richard Galliano (peça em compasso setenário, cujo gênero não me arrisco a afirmar ser de origem cigana) que expressam bem o ecletismo consciente da proposta. A partir de uma performance segura, que denota domínio dos seus instrumentos, os compositores-intérpretes podem manifestar sua criatividade com simplicidade e clareza, transitando com fluência em ambas as estéticas, a popular e a erudita. Ao final da sua audição, concluo que o Batuque de cordas consegue ser “globalmente” brasileiro e, mais que tudo, o seu novo disco é muito bom de se ouvir.

 

Roberto Gnattali

(Compositor, arranjador e regente, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO)

 

Vídeo

Assista o vídeo da música Taraf de Richard Galeano interpretada pelo Batuque de Cordas:

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